sábado, 27 de outubro de 2012

Rádio é som


Rádio é som.
Intensidade, tom, timbre e quantidade
Os sons complexos e simples + alguns aspectos psicológicos sobre o som
Algumas invenções tecnológicas importantes para o desenvolvimento da rádio
A atenção dispensada pelos ouvintes: tipos de audição
O estabelecimento de comunicação entre o E R
Aspectos de definição da qualidade de uma estação de rádio
Audibilidade radiofónica
Características da rádio enquanto medium

O carácter auditivo da rádio permite ao ouvinte realizar outras tarefas enquanto recebe a mensagem radiofónica. Com o apelo exclusivo a um dos cinco sentidos, a Rádio destaca-se dos outros media, como p.e. a televisão que apesar da  importância do som tem na imagem o seu elemento predominante.
Sendo o som o elemento fundamental da Rádio, torna-se importante desenvolver um pouco mais a compreensão de aspectos relacionados com o som. Na definição de Arturo Merayo, o som é uma “sensación producida en el órgano del oído por el movimiento vibratório de un cuerpo transmitido por el Aire o por cable, cuando se halla en la gama perceptible de las frecuencias acústicas” (2003: 91) e que tem as seguintes qualidades quando adaptadas à rádio: intensidade, tom,  timbre e duração.
A intensidade de um som molda-se a aspectos psicológicos, sociais e linguísticos, e através da rádio a intensidade de uma voz pode assumir diversas dimensões de acordo com a relação do emissor com o momento da emissão da mensagem, estados físicos e psicológicos, estratégias de captação de atenção e interesse em determinado momento, e, por fim, enriquecimento acústico.
Para além da intensidade, outra das qualidades é o tom que são as percepções do
grave e do agudo e que corresponde a tipos de frequência diferentes[1].Por sua vez, o timbre, que varia de acordo com a idade e o sexo, é algo enganador porque pelo não tem relações com as características físicas. É o timbre que se altera quando a voz passa por um conjunto de máquinas eléctricas, como por exemplo os filtros e geradores de efeitos para a voz. Por fim a duração, que é a quantidade de som e a velocidade a que se fala.
Todas estas qualidades, são características que os profissionais da rádio devem ter presentes e quando associadas a determinado objectivo permitem desenvolver as características de uma mensagem radiofónica.
Faus Belau (1981) divide o som em simples e complexos. Por sua vez, num segundo patamar, os simples em naturais e criados, e os complexos em recreados e reconstruídos. Na tabela 01 apresentamos a definição de cada uma das categorias apresentadas por este autor.

Tabela 01 – Tipos de som
Fonte – Faus Belau, 1981

Simples
Naturais
São os sons momentâneos existentes na natureza. O som da vida, dos seres vivos e da relação destes com a natureza. Por sua vez dividem-se em a) sons naturais, fruto de determinada actividade; b) sons organizados, que necessitam de um código transmitido geneticamente; c) linguagem convencional do homem; d) sons naturais imitativos.
Criados
São os sons introduzidos no espaço pela acção humana e em consequência de uma tecnicidade ou desenvolvimento.
Complexos
Reconstruídos
São as reconstruções técnicas de sons naturais que devido à capacidade de gravação podem ser difundidos sempre que se deseje.
Recreados
Sons com uma acumulação de modificações tal que ganham subjectividade intencional da parte do produtor. São produtos criativos fechados e destinam-se à difusão.

Outro autor, Cebrián, introduz mais um tipo de som ao qual chama som radiofónico e descreve-o como um som que tem a capacidade de  difundir qualquer um dos apresentados na tabela 01.
Os avanços tecnológicas provocaram metamorfoses na forma de produção e de difusão da rádio. Para além da invenção da  gravação, que permite desprender o som da sua fonte, e do fonógrafo, que permitiu a eliminação da necessidade de presença física para se fazer som, também o disco, a fita magnética, a estereofonia, e a frequência modulada introduziram alterações significativas na rádio enquanto medium. Ganha particular relevo o microfone, que deve aqui ser encarado como um dos mais importantes aparelho da rádio, “El microfono cuenta la verdad según su situación, desde el punto donde se le há colocado. Dice su verdad, distinta de la dos otros micrófonos situados en diferentes emplazamientos” (Herreros, 1983: 86).
Sempre que há a introdução de novos elementos verifica-se uma alteração das condições da mensagem.
As características da rádio são propícias à participação dos ouvintes, por se tratar de um “medio caliente está vinculado a lo emotivo” (2003: 97), e fertilizantes no apelo à imaginação de quem a escuta, provocado pela capacidade do som em criar imagens. Tal situação leva o ouvinte a fabricar um conjunto de representações mentais que têm um ponto de partida livre, ao contrário do que se passa na televisão em que o ponto de partida para as representações mentais são presas à imagem apresentada. A figura do receptor da mensagem da rádio cria um conjunto de representações mentais que permitem a relação de imagens abstractas em contraste com outras. A realidade e a ficção juntas nas representações criadas pelo receptor. Assumindo um aspecto psicológico, as representações variam de individuo para individuo apesar de terem uma base na objectividade de um denominador comum a todos os indivíduos.
Recorremos a Faus Belau para identificar um conjunto de aspectos psicológicos relacionados com o som, e particularmente com a rádio: a) os produtos sonoros materializam-se e por isso requerem a atenção de quem os escuta; b) Os sons reconstruídos e recriados podem ser memorizados por serem de possível repetição; c) não são visualmente identificáveis; d) a percepção de um som é uma imagem sonora; e) a imagem sonora desencadeia um conjunto de representações que provoca um mecanismo de busca de experiências semelhantes; f) os sons reconstruídos e/ou recriados têm sempre um ponto de partida irreal ou fictício; g) no campo auditivo há sempre um som in (presente) e um som out (ausente) e h) os sons reconstruídos e recriados são manipulados e têm utilização na actividade radiofónica.
Sendo a rádio um meio de apelo exclusivo ao sentido auditivo, e como tal apenas entendido através do som, a rádio é um meio que propicia a imaginação.
A possibilidade de quem assume o papel de receptor poder desenvolver outras tarefas para alem de ouvir rádio, levanta questões interessantes relacionadas com a forma e o tipo de atenção que se presta à mensagem difundida pela rádio. É impossível avaliar de igual maneira quem realmente presta atenção à mensagem e esforça-se para se concentrar, e quem apenas tem o rádio ligado. É o que se passa p.e. com os auditórios da nocturnos em comparação com os diurnos. Os da noite apesar da menor dimensão, apresentam uma melhor qualidade no que se refere à atenção e concentração que dispensam à mensagem.
O profissional de rádio deverá conhecer estes mecanismos para poder estimular a atenção de quem o escuta e adaptar a sua mensagem às características do auditório que o escuta para ampliar o número de receptores. O papel do emissor é importante nas suas capacidades comunicativas, pois para alem do conteúdo da mensagem, há toda uma envolvente relacionada com a forma como a mensagem é apresentada[2].
Estimular a atenção de um ouvinte depende em primeiro lugar do próprio ouvinte, apesar de existirem contributos vários na parte da emissão: programação, recursos expressivos empregues e as actividades simultâneas que se desenvolvem. A atenção dispensada pelo ouvinte pode dividir-se pelas seguintes categorias: rádio-ambiente; rádio-ouvida; rádio-escuta e rádio selecção. Ter o rádio ligado apenas para encher o espaço e criar ambiente sem prestar qualquer atenção à mensagem é o patamar de rádio-ambiente, onde há uma total ausência de escuta activa porque o ouvinte não presta a mínima atenção ao que está a ser difundido. A rádio-ouvida apresenta diferentes níveis de atenção prestada pelo ouvinte ao longo da emissão, sendo que o ouvinte  altera momentos de acção na escuta com momentos sem acção. Por sua vez, a rádio-escuta exige uma atenção elevada na escuta e pode provocar a paragem no desenvolvimento de outras actividades. Verifica-se p.e. quando o ouvinte aumenta o som do rádio com o objectivo de uma melhor audição, situação bastante visível na saída de momentos musicais para a entrada em momentos de notícias. Por fim, a rádio-selecção onde se verifica uma escuta propositada p.e. num programa específico.
Martin Sanabria apresenta um outro tipo de divisão para avaliar a atenção dispensada pelos ouvintes à mensagem radiofónica. Este autor indica três patamares: atenção exclusiva; atenção activa e atenção passiva. A atenção exclusiva verifica-se nos momentos de escuta de programas específicos e há uma selecção do ouvinte para  determinada escuta. A atenção activa acontece quando o receptor presta uma atenção intensa e voluntária ou quando a audição pode ser avaliada como a tarefa principal que está a ser desenvolvida. Onde se exige menor atenção é na atenção passiva.
Mas estará o processo comunicacional a ser realizado na sua plenitude e com sucesso, quando o receptor dispensa uma atenção nula ou perto disso?
Para que aconteça realmente o acto de comunicação é necessário que o receptor perceba a mensagem e lhe preste alguma atenção, pois caso contrário, não poderemos estar a falar de comunicação porque “la communicación eficaz a través del médio solo es posible cuando se consigue que el oyente preste atención al mensaje” (Merayo, 2003: 110). Assim, para se entender a mensagem veiculada pela rádio é necessária a atenção e compreensão de quem tem o papel de receptor no acto comunicativo, por sua vez ao emissor pede-se clarividência na mensagem.
Inspirado pelas reflexões de Perlado, Merayo diz que a mensagem radiofónica enquanto produto deve ter qualidade para que o ouvinte se sinta bem em determinada estação emissora. Na identificação da qualidade referida têm influência aspectos como a localização da frequência, qualidade do som e da programação, qualidade da música e das vozes que fazem a estação. A atenção do ouvinte deve ser estimulada através de várias técnicas com o objectivo de o prender a determinada frequência. O timing do que se diz, o dinamismo imposto e adequado à situação, “además de la brevedad, influye en el mantenimiento de la atención la variedad, el ritmo, el contraste y la amenidad del discurso radiofónico” (Merayo, 2003: 111). Por isso, mais uma vez se alerta para a necessidade do emissor, no caso particular o profissional de rádio, conhecer muito bem quais as características do seu auditório e do seu público. É claro que estas questões tornam-se mais sensíveis ao nível da informação, pois ao nível do entretenimento existe um maior espaço de liberdade criativa nas estratégias para a fidelização da audiência.
A velocidade de exposição da mensagem é uma das importantes técnicas que pode ser adaptada a estratégias de captação da audiência. Por vezes não é fácil e o seu uso impõem-se com a necessidade de fornecer muita informação num curto espaço de tempo. No entanto esta característica varia de acordo com vários casos como p.e. as características do idioma falado.
Assim, devemos de falar de audibilidade radiofónica. Audibilidade quer dizer qualidade do que é audível e por audibilidade radiofónica, Merayo define como “grado de calidad que alcanzan los sonidos radiofónicos cuando pueden ser percibidos y compreendidos con plenitud de su carga semântica  por un oyente de redio medio que aplique la mínima atençión activa.” (Merayo, 2003: 112). Recorrendo às formas de avaliar a atenção dos ouvintes anteriormente apresentadas, a audibilidade radiofónica apenas se identifica na rádio-escuta e na rádio-selecção, por ser há um maior apelo à atenção do individuo receptor.
A rádio tem características muito particulares que a transformam num media muito próprio. A começar pela temporalidade tão associada ao som que não é definitivo, mas ocupa na sua fluidez um determinado espaço de tempo irreversível tal como todo o tempo. A característica de intemporalidade da rádio, tem implicações na expressividade e no estilo. A rádio tem uma linha temporal e uma linearidade e é “un canal fugaz e irreversible demanda sin paliativos el uso de estructuras destinadas a captar permanentemente la atención” (Merayo, 2003: 117).
A segunda grande característica da rádio é a sua capacidade de alta penetração. A sua grande penetração é temporal porque permite a sua emissão 24 horas por dia, e, também, espacial, pela grande diversidade de espaço físico onde é permitida a sua recepção.
Por fim, a terceira grande característica é a rapidez por ser um meio com mobilidade e porque os seus custos quando comparados p.e. com a televisão são imensamente mais baixos. A rapidez como característica da rádio tem aspectos que interferem na imediatez, por não necessitar de intermediários e apenas com as mediações técnicas, a instantaneidade, por que os momentos de emissão e de recepção são o mesmo, a simultaneidade, que do ponto de vista do emissor é a possibilidade de existência de vários canais e do ponto de vista do receptor a recepção ao mesmo tempo, e, por fim, a rapidez, devido à velocidade de captação e de transmissão. Tal como diz Merayo, estas características “son las três caractrísticas más sobresalientes del canal radiofónico” (2003: 119).
A tabela seguinte mostra estas três características e alguns dos aspectos particulares de cada uma das características.
Tabela 02 – As características da rádio enquanto medium
Fonte – Arturo Merayo, 2003
Característica
Características diversificada
Conceitos
Temporalidade
Linearidade
Irreversibilidade
Fugacidade
Discurso  sequencializado
Escassa permanência
Percepção irrepetível
Alta penetração
Temporal
Espacial
Presença constante
Presença ubíqua
Rapidez
Acesso à informação
Transmissão de informação
Imediatez
Instantaneidade
Simultaneidade

É claro que estas três características não são as únicas que existem na rádio, mas são certamente as mais notadas e as mais destacam. Outras existem como o facto de ser o media mais adequado para a apresentação de espaços especializados, da possibilidade da recepção da mensagem por parte de um público mais diverso e sem necessidade de grandes conhecimentos para efectuar a sua descodificação e a maior capacidade para os contactos directos para com os receptores.
JB - Outubro de 2012


Bibliografia:
Belau, Angel Faus, (1981). La rádio: introducción a un médio desconocido. Madrid, Latina.
Herreros, Cebrián (1983). La mediación técnica de la información radiofoniaca. Barcelona, Mitre.
Merayo, Arturo (2003). Para entender la rádio. Salamanca, Publicaciones Universidad Pontifícia de Salamanca.





[1] As frequências sentidas pelo ouvido humano vão de 16 a 20.000 Hz.
[2] Questão abordada no texto sobre as funções da rádio.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

4 - A Leitura do Catecismo da Igreja Católica inspira-me a escrever...


O ano da fé

O Catecismo da Igreja Católica


4 - A transmissão da revelação divina


Tal como já percebemos, Cristo Jesus é o caminho que leva a humanidade a Deus. O anuncio desse caminho, por ser algo que tem de ser constante e diário, tem de ser feito em persistência e por vezes contrariando tendências. A presença de Cristo na vida terrena, durante 33 anos, é parte desse anuncio, e quase que somos tentados a cair no erro de pensar que nessa passagem está o exclusivo do anuncio, esquecendo o trabalho dos apóstolos, dos papas ao longo de 2000 anos, dos bispos e de toda a igreja. Esse anuncio continua a ser presente em cada dia e cabe aos cristãos, não só descobrirem-no como transmitirem-no.
A sagrada escritura, que herdámos dos apóstolos, são ensinamento de catequese e são parte do anuncio. A vida dos Santos e Beatos, e também a vida da própria igreja, são parte do anuncio. A mediação da igreja entre os humanos e o celestial são parte do anuncio. E o próprio pecado também anuncia esse caminho. Cada um de nós, cristãos e elementos da igreja, tem responsabilidade em apresentar aos outros, Jesus Cristo como o caminho para chegar a Deus. O apostolado contraria modas contemporâneas e pensamentos modernos porque a fé não é pessoal e intransmissível, como referenciava a frente dos antigos bilhetes de identidade
Há duas maneiras de anunciar o evangelho: através da oralidade e através da escrita.
Iniciado com Cristo Jesus (e atenção porque consideramos que Jesus continua vivo e a conversar com cada um de nós), o período de aproximadamente 2000 anos que nos traz aos dias de hoje, foi gerador de uma tradição na passagem da palavra de Deus, que torna constante a presença de Deus e de Cristo na vida de cada um. Assim, a tradição está ligada à sagrada escritura, que é a palavra de Deus. Já a sagrada tradição é conservar a palavra de Deus. É aqui que reside um dos pilares da igreja. À igreja foi confiada essa tradição que gera um acordo de confiança e de aceitação por parte dos seus crentes – é a fé. E a igreja exerce a sua actividade em nome de Jesus.
A fé tem dogmas que têm a sua aceitação e a sua concordância por parte de todos os que constituem a igreja e é na aceitação desses dogmas que se faz a adesão à fé em Cristo.
JB – Outubro 2012


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

3 - A Leitura do Catecismo da Igreja Católica inspira-me a escrever...


O ano da fé

O Catecismo da Igreja Católica


3 - Deus fala através de Jesus


Já anteriormente percebemos que Deus deseja receber o Homem na sua casa de verdade e de amor. Mas para isso, é necessário que o Homem, fraco e pecador, percorra um caminho capaz de o levar ao Pai, que perceba a forma como o Pai lhe fala.
A Encarnação traz ao mundo o Filho de Deus num o momento em que Deus se oferece e se entrega totalmente aos Homens. A bondade divina transforma-se num semelhante do Homem.  A Encarnação mostra um Deus tão bondoso, que aceita abandonar-se a si próprio para experimentar o nosso sofrimento. Perceber tudo o que Jesus Cristo representa está para além de qualquer capacidade humana. É uma beleza impossível de se imaginar, é uma bondade impossível de conseguir ao mais bondoso gesto humano, um amor impossível de se igualar ao mais intenso amor humano. A Encarnação de Cristo é um facto inexplicável na sua grandeza, importância e força. É verdadeiramente  um mistério.
Jesus Cristo é o caminho para chegarmos a Deus. É a vida.
Na sua sabedoria, Deus criou uma pedagogia divina que teve como mensageiros vários profetas e que preparou a humanidade para o momento da humanização de Deus. A aliança com Noé é um desses momentos,  porque gerou uma nova ordem quando o Homem , através do seu orgulho, e numa tentativa de unidade afastada de Deus, tentou criar uma nova ordem à maneira de Babel. Também a aliança com o pai de inúmeros povos que foi Abraão foi outro dos momentos de pedagogia divina de preparação para a revelação. Outro importante momento, foi a aliança de Deus com o povo de Israel, para que este último, através da lei de Moisés, ficasse livre da escravidão imposta pelo Egipto.
E assim por meio de uma pedagogia, Deus forma o seu povo.
A revelação divina dá-se com Jesus Cristo. É Deus a falar aos Homens e a mostrar o caminho para se chegar até ele. Deus, que é amor, bondade e beleza, passa agora a ser representado por um Salvador que também é amor, bondade e beleza. Deus Feito homem. Nunca Deus tinha-se aproximado tanto do Homem e através de Jesus Cristo, o Homem passa a poder falar com Deus. Sobre esta temática em particular, o Catecismo da Igreja fala em (palavra) “insuperável”, (palavra) “única” e (palavra) “perfeita”.
É claro que o Homem na sua imperfeição teima em não aprender a lição que Deus lhe disponibiliza e cabe à fé dar seguimento à pedagogia divina e fazer com que cada Homem possa perceber que é através de Jesus Cristo que Deus fala com cada um de nós.
JB – Outubro 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

2 - A Leitura do Catecismo da Igreja Católica inspira-me a escrever...


O ano da fé

O Catecismo da Igreja Católica


Deus explicado pela racionalidade

  
Percebemos, pelo texto anterior, que há uma relação entre Deus e o Homem: Deus criou o Homem. Por sua vez, ao caminhar para Deus, o Homem descobre a verdade absoluta, que apenas em Deus é alcançada. Deus é a vida, e o Homem criação de Deus.
Na história da humanidade encontramos várias formas de adoração. Este facto que mostra a religiosidade do homem, indica também que essa religiosidade é antiga. Hoje, essa característica humana da religiosidade, ao contrário do que se pensa, continua bem vincada nos humanos. São constantes os actos de idolatria para com humanos feitos deuses e a sacralização de objectos e marcas comerciais. Os humanos continuam bem religiosos, é uma característica da raça, no entanto o sentido da religiosidade está invertido. Hoje as pessoas vivem um prazer hediondo, instantâneo e sem profundidade, os valores alteraram-se e o conceito de liberdade é diferentes. Nada dispostos a abdicar ou prescindir, o sentido da religiosidade vira-se para lado em tudo se permite e onde os prazeres assumidos pela liberdade de prazer de cada um não são afectados ou limitados.
Ao não perceber o Deus criador, o Homem deixou de lado a fé e já não se encontra na sua fragilidade e na incapacidade de compreender o divino. Ao exigir respostas, o Homem moderno não se consegue sentir fragilizado ou incapaz de entender Deus, mas censura-o e questiona-o. E até há quem anuncie a morte de Deus[1]. O Homem que não percebe o sentido da cruz e não está disposto carregá-la.
Assim, podemos afirmar ser da natureza do Homem ter uma relação com Deus, e também da sua natureza, fruto da liberdade com que o bondoso Deus criou o Homem, rejeitar essa relação.
O Homem pode rejeitar Deus, mas Deus jamais rejeita o Homem. Deus chama o Homem para o seu coração, para o seu amor e para a sua bondade, e atribui-lhe deveres porque como me disse uma vez um jovem Padre Jesuíta, Quem se mete com deus, trama-se!
Quem se mete com deus, trama-se! Não se fique a pensar que o jovem Padre queria assustar ou incentivar o caminho das trevas. Apenas alertava para algo bem real que é a impossibilidade de conquistar do melhor de dois mundos. Quem quer realmente seguir Deus, não pode viver na terra como um pagão. Tem de santificar todos os momentos da sua vida, negar o pecado, praticar o culto de adoração a Deus.
É exactamente aqui que está o problema! E também a crise de algumas instituições. Hoje as pessoas não estão dispostas a abdicar p.e. daquilo que lhes dá prazer e que a igreja censura ou considera poder afastar de Deus.
Há vários caminhos para se chegar a Deus e muitos deles inacessíveis ao Homem, mas o mundo e a própria pessoa humana são os caminhos ao alcance do Homem para chegar a Deus. Por aqui se percebe, que não é nada do outro mundo, bem pelo contrario, é bem deste mundo.
O mundo e a pessoa criam uma realidade existente que é causa primeira e fim último – é Deus. Por isso, Deus é o princípio de todas coisas e também o seu fim.
Poderá existir explicação mais racional para provar a existência de Deus? Assim se explica, através da razão humana, a existência de Deus porque como se diz no catecismo da Igreja Católica, “o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último...”. Mundo e Homem são criação de uma realidade que é criadora do mundo e do homem – Isto é racional e assim se explica Deus pela racionalidade, através do reconhecimento a Deus pelas coisas que criou.
Esta explicação, aceite pela Igreja católica, carimba e valida a possibilidade de falar de Deus a todos os homens e o facto do Homem ser criado à imagem e semelhança de Deus revela-se na bondade e do amor do Homem.
É através destes elementos de semelhança, o amor e a bondade, que podemos falar de Deus, Pela beleza, pelas coisas boas e sempre com percepção das nossas limitações de humanos porque como diz o catecismo “as nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus”
JB – Outubro 2012










[1] Como se fosse possível Deus morrer  nós continuarmos vivos.

Leon Trotsky Radio, Science, Technique and Society


Leon Trotsky
Radio, Science, Technique and Society
Março de 1926
Análise ao texto

Em Março de 1926, altura em que a radio broadcasting dava os primeiros passos, o intelectual marxista e revolucionário bolchevique, Leon Trotsky, profere uma comunicação junto dos elementos da Society of Friends of Radio.
Trotsky era da opinião da que a canalização de verbas para a investigação científica não era um disparate, pois os desenvolvimentos da ciência possibilitariam elevar o nível da qualidade de vida das pessoas. Os feitos da ciência soviética poderiam ajudar nas conquistas da classe trabalhadora, “we believe that all these views are profoundly mistaken, and that the present victories of Russian science flow directly from the victory of the working class in November 1917” (Trotsky, 1926, 1).
Chegado do Turquemenistão, Trotsky fala nesta conferência sobre a importância do medium rádio para diminuir as distancias com a ligação a povos mais afastados dos grandes centros, “Given the immensity of our federative country, which includes Turkmenistan - a land covering five to six hundred thousand versts, bigger than Germany, bigger than France, bigger than any European State, a land where the population is scattered among oases, where there are no roads – given these conditions, radio-communication might have been expressly invented for the benefit  of Turkmenistan, to link it with us” (Trotsky, 1926, 2).
A instauração de uma sociedade socialista não era compatível com o atraso tecnológico verificado na União Soviética de então, que estava longe dos standards tecnológicos de outros países, “because we are building socialism, and socialism presupposes and demands a high level of technique” (Trotsky, 1926, 2).
Mais à frente iremos constatar a importância que Trotsky atribuía à rádio e a esperança que depositava nos possíveis contributos deste medium para instalar na Europa a revolução do proletariado[1]. Mas por agora fixemos a palavra rangidos, e a expressão sons confusos, pois é assim, que Trotsky descreve o seu primeiro contacto com a rádio, quando pela primeira vez escutou o som que saia de um fonógrafo. Os avanços tecnológicos dos 25 anos anteriores à data da comunicação de Trotsky foram tantos, que fazem perder o espanto dos avanços da tecnologia da rádio desde o primeiro contacto de Trotsky, “in twenty-five years life has been invaded by the motor-car, the aeroplane, the gramophone, the cinema, radio-telegraphy and radio-telephony” (Trotsky, 1926, 4).
O tempo e o espaço não são uma criação da mente, mas sim algo impossível de dissociar da matéria. Os fenómenos da radioactividade e do wireless foram bandeiras da ciência contra o materialismo[2], mas na verdade não provocaram o mais pequeno dano. Na sua técnica, a rádio é a transmissão de ondas electromagnéticas de uma forma wireless, fenómeno que para o autor não é totalmente anti-materialista.
Para melhor se perceber o pensamento de Trotsky sobre a rádio, é preciso ter em conta que na sua alocução, Trotsky tenta responder à seguinte questão: Qual a relação entre a rádio e o sistema social?
Ao contrario de outros como p.e. Marconi, que assumiam que a rádio poderia significar o fim da guerra[3] , Trotsky achava que isso mais não era que um pensamento repetido sempre que surgiam novas descobertas. A aviação é um desses casos, quando se pensou ser motivadora do fim da guerra e contribuir para a paz, mas, em termos militares viria, isso sim, a abrir uma nova época, “I remember the time  when men wrote that the development of aircraft would put an end to war, because it would draw the whole population into military operations” (Trotsky, 1926, 9).
Para Trotsky, a técnica poderia vencer a pobreza e a superstição, e fazer os povos progredirem. Mas, como já aqui foi focado, os países socialistas não poderiam ficar para trás dos avanços que já se faziam sentir noutros países, como por exemplo nos países capitalistas. Aceitava a ideia, de que os media[4] conseguiriam transformar um país através da construção de uma unidade económica e cultural, e como tal, a revolução socialista também teria, necessariamente, que passar pelos media, linked together by means of all kinds of communications” (Trotsky, 1926, 12).
É necessário que as cidades estejam ligadas ao campo e vice-versa. Que as pessoas saibam o que é a rádio e que todas as cidades tenham um receptor. No pensamento de Trotsky, à rádio estaria destinado um papel fulcral na ligação entre  povos, no caso particular dos povos da União Soviética – a rádio poderá ser o medium dessa ligação, “for us the problem of economic and cultural links with the countryside is a matter of life and death in the full sense of the world. The technical basis of this linkage must be electrification, and this is directly and immediately connected with the problem of the introduction of radio on a wide scale. In order to approach the fulfilment of the Soviet Union be able to talk to each other, that the country be able to listen to the town, as to its technically better equipped and more cultured elder brother” (Trotsky, 1926, 13-14). A rádio para unir as pessoas porque é o “most democratic medium of broadcasting information and knowledge” (Trotsky, 1926, 15).
A revolução socialista teria o contributo da rádio, não só na União Soviética, mas também na Europa, onde a rádio poderia ajudar à instauração da revolução do proletariado. Nas palavras de Trotsky era necessário desmascarar a Social Democracia na dependência que a indústria europeia sofria por parte de países como a América (grão e algodão); Egipto (algodão), Índia (cana de açúcar) e, por exemplo, Malásia (borracha). Numa América bloqueada, a União Soviética tinha a hipótese de saciar a Europa faminta de alimentos e de matérias primas, exportando o que era necessário, “mighty revolutionary factor in relation to the countries of Europe” (Trotsky, 1926, 15).
Os camponeses, como os produtores de algodão do Turquemenistão, necessitariam de estar ligados aos trabalhadores das maiores cidades e também com os de outros países para, assim, perceberem os sinais da revolução do proletariado e poderem responder aquando do momento certo, “a network of radio receiving stations must be established in our country such as will make it possible for our peasants to live the life of the working people in Europe and the whole world, to participate in it from day to day. It is necessary that on that day when the workers of Europe take possession of the radio stations, when the proletariat of France take over the Eiffel Tower and announce from its summit in all the languages of Europe that they ate the masters of France (applause), that on that day and hour not only the workers of our cities and industries but also the peasants of our remotes villages, may be able to reply to the call of the European workers: “Do you hear us?” – “We hear you, brother, and we will help you!” (Trotsky, 1926, 15-16).
A mensagem de Trotsky diz que a rádio dará o sinal que transformará a Europa numa economia de proletariado organizada, “the development of a radio-telegraphic network is, among so many other things, a preparation for the moment when the people of Europe and Asia shall be united in a Soviet Union of socialist Peoples” (Trotsky, 1926, 16).
O que de mais importante se retira deste texto, é que Trotsky acreditava que o desenvolvimento da técnica e da ciência poderia aproximar os povos e contribuir para a adopção de um conjunto de ideias políticas, que eram as dele!
No caso particular da rádio, este médium teria a capacidade de unir os povos e contribuir para o desenvolvimento da revolução do proletariado na Europa tendo como ponto de partida a União Soviética.
A rádio daria o sinal de partida para a revolução.
A revolução passaria pela rádio. 
JB
Outubro 2012










[1] Também conhecida como revolução operária, este movimento, inspirado no Marxismo, consistia em colocar o proletariado como a classe dominante. O seu objectivo era a instalação de estado operário em detrimento de um estado burguês.
[2] Materialismo – Forma de fisicalismo que afirma que a única prova de existência de algo é através da matéria. Respeita a ideia de que tudo é composto por material e que todos os fenómenos resultam de interacções entre a material.
[3] Pensamento comum a outros avanços tecnológicos consideradas como conquistas para a implantação da paz. Ex. a aviação.
[4] Identificados por linhas de caminhos de ferro, navios e portos e a tecnologia de radiotelegrafia e o telefone.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

1 - A Leitura do Catecismo da Igreja Católica inspira-me a escrever...

O ano da fé

O Catecismo da Igreja Católica



            No Prólogo


            É impossível negar ou esconder a relação estabelecida entre Deus e Homem. Deus criou o Homem, facto, por si só, suficiente para uma relação, e deseja em cada momento intensificar essa relação. Deus, na sua bondade e no seu coração, deseja acolher o Homem. Deus, que criou o Homem, deseja o Homem e puxa-o para si.
            Na inevitabilidade dessa relação, Deus deseja que contê-la com amor, fascínio e encantamento, mas nem sempre assim é. Na sua generosidade, Deus criou o Homem livre, e por isso tantos de nós, reclamam com Deus numa relação de repulsa, ódio e afastamento. Na Bíblia, a parábola do filho pródigo[1] contem os dois lados desse relacionamento. O momento em que o filho abandona o lar, é o momento em que os Homens pensam poder viver sem o apoio do seu Pai, e o abraço que marca o retorno do filho, é a vida comum de ajuda, apoio e amor entre o pai e filho. Na parábola, o filho apercebendo-se do vazio que é a vida sem o pai, redime-se e regressa dizendo “Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”, mas fora da parábola, na vida de todos os dias, muitos nem se apercebem do vazio e da necessidade de regressar ao Pai, da necessidade de receber o abraço do Pai. Alguns ao sentirem o vazio mais vazio, ainda vão a tempo e correm a abraçar o Pai.
            Como pretendemos destacar os aspectos positivos e salutares da relação com Deus, afirmamos que: i) Homem e Deus têm uma relação; 2)Deus criou o homem e tudo o que o rodeia[2].
            Na relação com Deus, a Igreja e Jesus Cristo são os pilares. Deus enviou à terra o seu filho feito homem, Jesus Cristo, o salvador, que, por sua vez, escolheu 12 apóstolos[3] ou discípulos para pregarem a palavra de Deus[4] e baptizarem. O testemunho destes guardiões da palavra de Deus que viram Cristo e que com ele privaram, está contido no livro dos livros - o Novo Testamento da Bíblia Sagrada. Pelos vários capítulos da segunda parte da Bíblia, os apóstolos descrevem a sua convivência com Jesus, os seus milagres e as experiências partilhadas. A palavra dos apóstolos é a palavra de Deus feito homem, por ser a palavra de Cristo, Jesus. Eles foram comunicadores, homens de verdadeira fé a espalhar a mensagem – Deles, as gerações seguintes até à nossa e também as vindouras, recebem a fé e a palavra de Deus.
            A nós, católicos apostólicos romanos, cabe o importante papel de apóstolos do tempo presente. Somos herdeiros da mensagem dos 12 e a cada cristão pede-se para levar mais longe a palavra de Deus. O tempo já não é para as cruzadas de antigamente ou para as missões que os Jesuítas realizaram, mas há tanto por fazer, e os cristãos do tempo presente podem começar em casa, junto das suas famílias. Sim, não tenhamos duvidas, 2000 anos depois Deus pede a cada um de nós para sermos apóstolo da sua palavra e, ao mesmo tempo, corpo de Cristo. Imagine-se um cenário, que aceitamos ser completamente irreal e sem qualquer jeito, em que ninguém apostolava a fé? Que mundo teríamos e onde estaria a palavra de Deus?  Arrisco a responder que o mundo seria apenas uma recordação, recordação essa que não seria de nenhum humano, porque ninguém estaria presente para contar ou ouvir a história.
            Bastaria o facto de sermos filhos de Deus, para que a nossa curiosidade fosse a suficiente para conhecermos a palavra e perceber os seus ensinamentos. Sabemos bem, que nem sempre assim acontece, e que muitos dos que se chamam filhos de Deus, são-no de facto, mas sem conhecerem o que o Pai lhes diz, e por vezes mais grave, sem estarem dispostos a ouvir o que o Pai lhes tem para dizer. São os maus apóstolos, que os há, e certamente já todos apanhámos um ou outro!
            É na catequese da igreja, elemento primordial na expansão da igreja, que está contida toda a doutrina e todos os ensinamentos de Deus, que emanam da reflexão existente em actos tão ricos como os Concílios, que têm como ponto de partida a sagrada escritura, os santos padres, a liturgia e o magistério da igreja. Expostas no catecismo da Igreja Católica, estes elementos orientadores da fé católica[5], são de leitura necessária para todos os cristãos adquirirem conhecimento e catequese da doutrina da igreja.
            O catecismo da igreja católica está organizado em quatro partes: i) Profissão de fé (revelação); ii) Sacramentos da fé (Presença da salvação); iii) Vida da fé (mandamentos), e iv) Oração.



[1] Evangelho de Lucas cap.15, versículos 11 a 32.
[2] Aspecto importante para perceber Deus à luz da racionalidade.
[3] Os 12 apóstolos foram: Pedro; André, Mateus, Tomé, Filipe, Mateus, Bartolomeu, Tiago, Simão, Judas Tadeu, Judas Iscariote e João. Ao grupo inicial juntaram-se mais dois apóstolos, Matias é escolhido para o lugar do traidor Judas Iscariote, e Paulo de Tarso, convertido através de visões de Jesus ressuscitado. 
[4] “E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Evangelho de São Mateus Cap. 16, versículo 18.
[5] Por isso se diz a doutrina da fé.